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Posts de Abril, 2008

QUEM É O HOMEM NA HISTÓRIA DOS SABERES?

Publicado por compendion em Abril 12, 2008

NASCIMENTO
Como falar sobre quem é o homem sem percorrer todo um período histórico, onde ele sempre esteve presente? Acreditamos que ele foi sempre ou quase sempre o protagonista da História, alias se somos capazes de voltar os olhos para o passado, isso se deve a ele, que esteve nos diversos períodos para fazer o registro histórico. Mesmo no período pré-socrático, quando a investigação científica, ainda que arcaica, voltava sua atenção para a physis, era o homem e somente ele que estava à frente das investigações
O período socrático marca a derrocada dos deuses míticos (ainda que não completa e, já iniciada com os pré-socráticos) e uma conversão dos pensamentos, onde o movimento sofístico opera “uma verdadeira revolução espiritual, deslocando o eixo da reflexão filosófica da physis e do cosmos para o homem e aquilo que concerne a vida do homem como membro de uma sociedade” . Este período identificamos: como o “período do nascimento”. E acreditamos não ser possível não identificar um paralelo entre esse período, e a idade do homem na História dos saberes. E como toda História tem um começo, a História do homem como ser que faz História, se inicia nesta época.
A mudança da reflexão filosófica da physis para o homem, a nosso ver marca o início da tentativa de descobrir: quem é o homem? É o seu nascimento, o seu descobrimento como agente ativo do cosmos que o circula, a máxima socrática “conhece-te a ti mesmo” pode ser identificada como um conselho ao homem de que, ele deve conhecer primeiro a si próprio para depois avançar no conhecimento daquilo que o cerca. Portanto, se o homem nasce, nasce para o saber, primeiro sobre si, depois sobre as coisas. Por isso Aristóteles vai dizer que “todos os homens, por natureza, desejam saber”
INFÂNCIA
Com o nascimento de Jesus Cristo, já anunciado cerca de 700 anos antes, ocorre uma mudança mais radical ainda, mudança esta que foi capaz até mesmo de modificar todo o calendário. A partir de agora a História será contada em duas épocas: antes de Cristo e depois de Cristo.
Jesus surge dizendo-se ser o filho de Deus, anunciando a boa nova da salvação com a vida eterna a todos os homens, sem exceção, bastando para isso que se convertam ao Pai. A partir de agora todos são seus irmãos, portanto, filhos do mesmo Pai, filhos de Deus. O homem tinha a partir desse momento, um Pai que os amava verdadeiramente.
Esta época identificamos como o “período da infância”, de fato é na infância que aprendemos a chamar pelo pai, talvez a figura mais marcante da história de todos os homens. A figura do pai nos da segurança, este é a coluna mestra de todas as casas, quem seria o homem sem um pai? Mas, muito mais que um pai, agora o homem tinha um Pai, criador do céu e da terra e de todas as coisas visíveis e invisíveis.
A segurança desta revelação a aqueles que creram na boa nova, foi de tão grande efeito que passaríamos horas falando sobre os mártires e as perseguições que sofreram por causa de terem crido.
ADOLESCÊNCIA
Passado esse período adentramos na “adolescência”. Na Idade Média, o homem parece estar um pouco de lado novamente, pois o centro das questões esta voltada para Deus. A Igreja exerce um papel inegável de liderança em todos os âmbitos, da sacristia à monarquia. Juntamente com a terra, Deus é o centro do universo. O homem acata passivamente todos os mandamentos de Deus ministrados a partir da Igreja, ainda que esta em dados momentos, os tenha manipulado em proveito próprio. A alta Idade Média é identificada por alguns como “século das trevas da Igreja”
Se partirmos pelo critério de que o homem (talvez não nos dias de hoje) no período da adolescência realmente aceita todas as ordens do pai, em algumas raras exceções retruca um pouco, mas acaba aceitando o que o pai manda de cabeça baixa, identificaremos este período realmente como o da adolescência.
JUVENTUDE
Chegamos ao que podemos chamar de o “centro” da vida do homem, este agora se encontra na “juventude”. A juventude de fato parece ser o momento da alto-afirmação do homem, momento de se definir sobre o que ele pensa que é. Não vamos recorrer a pesquisas psicológicas, mas no senso comum, costumamos dizer que esta é a época em que os filhos costumam dar mais trabalho aos pais. Pois bem, na ocasião histórica referente a este período, o homem, buscando se auto-afirmar novamente, se coloca como o centro de tudo, o jovem homem agora é um rebelde.
Para corroborar com esta pretensão, a Idade Moderna, inicia-se com um grande golpe nas bases da Igreja e no pensamento do ser humano, o sistema heliocêntrico proposto por Copérnico parece dar um novo fôlego na História do homem. “O sistema copernicano tornou-se um dos mais vigorosos instrumentos do agnosticismo e ceticismo filosóficos que se desenvolveram no século XVI”4.
O homem agora em plena juventude de sua História, se esquece de seu Pai, os ensinamentos da Igreja começam a serem postos de lado, Deus não é o centro, o homem é o centro. É dado início ao período do racionalismo, todas as questões devem ser resolvidas com bases científicas e não teológicas. Como veremos a seguir, esta mudança apesar de ter trazido alguns avanços para a humanidade, também trouxe consigo grandes males nunca antes imaginados, pois, se os homens não têm um Pai em comum, conseqüentemente também não são irmãos entre si. As conseqüências disso foram tremendamente negativas.
IDADE ADULTA
O período da Idade Contemporânea, identificado por nós como a “Idade Adulta”, mostra até onde o homem pode ir, utilizando-se apenas da reflexão racional. De fato, neste período o homem foi capaz de mostrar toda a sua ferocidade, toda a capacidade de destruição e de autodestruição.
Na Primeira e Segunda Grande Guerra foram registrados números nunca antes imaginados de mortos, o continente europeu foi quase todo devastado, as bombas atiradas em Hiroshima e Nagasaki mostram o duro golpe do homem em si mesmo.
 Se a alta Idade Média costuma ser identificada como a “idade das trevas da Igreja”, por que não identificar a Idade Contemporânea como a “idade das trevas do homem”?
 VELHICE
Tendo atravessado todo um percurso histórico o homem se encontra agora na “velhice” ou “na idade da sabedoria ou da loucura”, este período é o hoje, o agora. Resta agora tentar responder: quem o homem hoje?
Decidimos abordar essa questão dessa maneira, porque entendemos que não é possível dizer quem é o homem de forma tão fácil, alias quem o diria? Todo esse percurso mostra claramente que o homem esta em constante mutação, ele não é, ele foi ou esta sendo. Com certeza seria mais fácil responder quem foi o homem em determinados períodos da história, mas, a questão: quem é o homem, parece pretender uma resposta precisa sobre o homem no seu período atual.
Ainda assim, será possível dizer quem é o homem hoje? No nosso sistema de reflexão, no seu hoje, ele esta na velhice, portanto, estaria prestes a morrer. Identificamos este período como “idade da sabedoria ou da loucura”.
Dizemos sabedoria porque é costume se dizer que a velhice é a idade da experiência, depois de ter vivido tantos anos um homem já em idade avançada, teria assimilado muitos conhecimentos e, portanto seria o portador destes. Mas, ainda dizemos também que, a velhice é o período da perda de consciência do homem, ou seja, a loucura.
Entendemos que o homem de hoje não esta tão diferente do homem da Idade Contemporânea, ele continua mostrando o que é capaz. Pensamos que o racionalismo exacerbado, de fato o enlouqueceu. Um filho capaz de se esquecer do Pai, vai lembrar de quem, a não ser de si mesmo? Hoje o homem vive a cultura do eu, cultura que não cria vínculos e pretende destruir os que restaram.
Temos medo de ao estarmos escrevendo esse artigo, sermos tachados de negativos de mais com relação ao homem. Mas, ele (o homem), nos dá outra opção? Claro que sim. O tempo não para, a História não acabou, o homem ainda tem um futuro pela frente, ele tem a chance de mudar o rumo da História mais uma vez. O Pai bondoso nos deu esse “poder” (Gn. 1,28-ss.), portanto, temos a chance de voltar os olhos para o bem e provarmos que não somos um animal irracional.
Quanto à resposta problematizada, entendemos realmente não ser possível dá-la, resta agora esperar mais um ciclo, e termos esperança de alguém poder narrar as maravilhas operadas pelo homem com relação ao homem, pois na História dos saberes não importa quem ele é, ou o que ele é, e sim o que ele faz.
Claudio Gomes™, estudante de Filosofia do Centro Universitário Assunção – UNIFAI

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O COMPORTAMENTO DO HOMEM E A PSICOLOGIA

Publicado por compendion em Abril 12, 2008

Introdução

          Com base na definição de Psicologia como ciência que estuda o comportamento do homem e de outros animais, pretendo enfatizar este trabalho destacando a formação do indivíduo e suas relações com o próximo, a partir de sua infância enquanto ser comunitário. Vamos fazer uma pequena análise do crescimento e desenvolvimento infantil, e tentar descobrir porque “a criança é na verdade o pai do homem”1, por fim analisar a questão: “qual a diferença entre a resposta de um indivíduo a seu ambiente físico e sua resposta ao mesmo ambiente na presença de outro indivíduo?”2 Para a realização deste trabalho utilizarei algumas citações extraídas do livro Confissões, de santo Agostinho, -obra escrita provavelmente entre 397 e 398- e com isso perceber que o comportamento humano em sua estrutura não se modificou, apenas se atualiza às diferentes épocas do desenvolvimento humano.


Parte I

No livro I, Agostinho recorda os pecados cometidos na infância, e diz “Quem me poderá lembrar os pecados cometidos na infância (…) Qual era então o meu pecado? Seria talvez o de buscar avidamente, aos berros os seios de minha mãe?”3. Neste ponto do livro, Agostinho faz uma análise de sua infância, e obervando o comporamento de outras crianças chega à conclusão que “Se mostrasse hoje a mesma avidez, não pelo seio materno, é claro, mas pelos alimentos próprios da minha idade, seria justamente escarnecido e censurado”4.
Esta necessidade de caráter fisiológico que uma criança tem é devidamente tolerado pela mãe neste período de amamentação, e, em outras circunstâncias e em outra idade, reprimido e outrora tolerado. Ao observar uma criança em um supermercado gritando, chorando e rolando no chão tentando convencer a mãe a comprar determinada coisa, digamos um chocolate, fica fácil entender o que Agostinho quer dizer. Esta atitude “agressiva” e hoje em dia tão “normal” de uma criança, pode nos mostrar como vai ser a sua relação enquanto ser social. “O bebê recém-nascido desperta para a atividade através de suas necessidades corporais, as necessidades de ar, alimento, eliminação de restos de alimentos, uma temperatura agradável, sono. Todas essas necessidades são as raízes fisiológicas do que os psicólogos denominam motivação”5. Porém, quando estas motivações não são bem administradas pelos pais, a criança pode vir a ter problemas futuramente, “pois os motivos tornam-se complexos à medida que o indivíduo cresce” 6. E isto pode ser determinante para a formação de sua personalidade.
Em tempos de capitalismo, é observável que as crianças já nascem prontas para aderirem ao consumismo. E como o consumo tem mostrado não poder suprir as necessidades do homem, -pois as “coisas” nunca bastam aos anseios do indivíduo- a criança que tem este tipo de comportamento manipulador desde seus primeiros anos de vida certamente irá ter e causar problemas. A criança, ao chamar a atenção dos pais por desejar um chocolate, demonstra toda sua capacidade de manipulação. Diante disso, os pais têm duas opções: ignorar os espetáculos feitos pelo pequeno infante e estabelecer limites concretos para ele; ou se deixarem manipular e colaborarem para a sua má formação humana e social, mesmo sem se darem conta disso.
A uma criança que não se estabelece um limite razoável, quando adulta pode vir a ter problemas, pois “Alguns indivíduos conformam-se facilmente à sua cultura [ou classe social], outros revoltam-se; alguns desenvolvem bons hábitos de trabalho [ou estudo] e tem elevados motivos para sua realização, enquanto outros são mais indolentes; alguns são mais competitivos e agressivos, outros são mais modestos” 7. “O vocábulo fante quer dizer fala, que precedido da partícula negativa in significa aquele que não tem o poder da fala. Ou seja, o infante necessita de alguém que fale com ele e por ele, na tentativa de torna-lo partícipe desse mundo”8. Ao que parece isto esta ocorrendo de maneira invertida, ou seja, são os infantes que estão falando pelos pais e sendo os verdadeiros pais do homem.
Cabe à psicologia vir em auxílio dos pais e educadores e procurar encontrar meios que auxiliem na nova educação. Além do mais, muitos psicólogos aderiram ao mercado publicitário, e com isso ajudam a desenvolver campanhas que mexem negativamente no âmago do homem e acabam por colaborar diretamente com a mudança comportamental dos indivíduos (neste caso as crianças), mudança esta deveras negativa. Mas isto não é de se estranhar já que quase todas as ciências têm seu lado negativo, umas mais, outras menos, isto a história já mostrou.
Parte II
Partimos agora para o campo do relacionamento grupal, “no dizer da psicanalista Françoise Dolto (1994) a fase da adolescência é um delicado período de transição, em que o sujeito tem que matar simbolicamente a infância, juntamente com os heróis familiares que a suportaram e rumar para o desconhecido, negando valores sedimentados, buscando uma identidade própria e outras identificações; um processo permeado por conflitos, incertezas e ambivalências. Ou seja, o sujeito está aberto para o outro, mas, ao mesmo tempo, centrado em seus interesses particulares e problemas existenciais”9.
Este processo de transição do ambiente familiar, para o ambiente do mundo (entenda-se “mundo” como ambiente externo fora do convívio dos pais), constitui um verdadeiro choque existencial. O resultado dessa descoberta do mundo pode-se observar em atitudes de contestação de valores, de rebeldia contra os pais e professores e na diminuição do interesse pelo estudo. Este é o momento em que o adolescente se encontra bastante vulnerável às influências dos grupos de sua idade.
Agostinho conta em seu livro que “certa noite, depois de prolongados divertimentos pelas praças até altas horas, como de costume, fomos, jovens malvados que éramos, sacudir a arvore [uma pereira] para lhe roubarmos os frutos. Colhemos quantidade considerável, não para nos banquetearmos, se bem que provamos algumas, mas para joga-las aos porcos. Nosso prazer era apenas praticar o que era proibido”10.
Por que o proibido atrai tanto as crianças, os jovens e os adultos? Agostinho fala que existe uma lei inscrita em nossos corações que condena tudo o que é proibido, “nem mesmo um ladrão tolera ser roubado, ainda que seja rico e o outro cometa o furto obrigado pela miséria”11. Não há como negar que somos influenciados cotidianamente pelo que é proibido. Esta influência pode ser tanto interna, como externa.
O mito do carro alado, de Platão pode nos ajudar a entender esta influência interna “A alma se assemelha a um carro alado puxado por dois cavalos e guiado pelo auriga [a razão]. (…) os dois cavalos das almas dos homens são de raças diferentes: um é bom [irascível] e outro é mau [concupiscente]. Isso torna difícil a operação de guiá-los”12, por mais solitário que seja o adolescente ele vive este drama entre escolher o que é certo ou o que é errado (o anjo bom e o anjo mau a gritar em seu ouvido).
Por outro lado, no ambiente da rua ou da escola o adolescente se encontra, quando faz “parte de uma galera ou de uma gangue e passa a ser da hora, alimenta sua atitude de rebeldia [concupiscência] e seu desejo de liberdade. No mundo, o que ele busca é um espaço de pertencimento, onde possa se sentir ancorado para enfrentar o desafio comum à sua idade: afirmar-se perante o mundo e os outros que ai se encontram”13.
Agostinho indaga, “Quem pode compreender os pecados?”14. “Se eu tivesse na ocasião desejado de fato aqueles frutos que roubei, e com eles tivesse regalado, poderia tê-los roubado sozinho. Poderia ter cometido a iniqüidade, satisfazendo o meu desejo, sem a necessidade de estimular, por outras companhias, o prurido de minha cobiça [cavalo concupiscente, Platão]”15, um pouco adiante ele nos trás a resposta: “era uma vontade de rir que nos acariciava o coração ao pensar que estávamos enganando os que não esperavam de nós semelhante ato e muito o detestariam. Por que eu me divertia ainda mais por não praticá-lo sozinho? Talvez porque seja mais difícil rir sozinho? Sim é mais difícil. No entanto, acontece às vezes que rimos sozinhos, sem a presença de outros, se algo muito ridículo se apresenta aos nossos sentidos ou ao nosso pensamento.” e conclui, “Ah! Sozinho eu não teria praticado tal ação: absolutamente, não o faria!”16
Como acima descrito a criança necessita de alguém para guia-la, e ajudar na formação de seu caráter para a idade adulta, o homem é um ser que necessita do homem. Sozinho ele fica como que em um quarto escuro com medo e sem saber o que fazer fica completamente a mercê de suas ansiedades e desejos inconscientes. Com isso ele acaba encontrando respostas e coragem quando esta se relacionando em grupo, pois ele busca um espaço de pertencimento, não encontrou quem falasse por ele e agora desafia a todos e a si mesmo agindo de maneira desregrada.
A psicologia enquanto ciência do comportamento deve estar à disposição do homem para que, analisando seu passado através da história, propor novos caminhos para a sociedade. Não caminhos que ignorem sua origem, mas que venham ajudar a trazer à tona os valores de caráter primário da humanidade, através de métodos científicos que sejam razoáveis e éticos. De que vale o estudo da Psicologia se não for para ajudar o homem a ter mais confiança em seu futuro e a abordar com mais recursos às dificuldades que ele encontra cotidianamente.
A psicologia é extremamente filosófica, pois se interessa a cerca da questão das causas primeiras enquanto ciência do comportamento.
Claudio Gomes™, estudante de Filosofia do Centro Universitário Assunção – UNIFAI

 Bibliográfia

1 HILGARD, Hernest, R., ATKINSON, Ricrard C. Introdução à filosofia. São Paulo: Nacional. p. 3

2 Idem 1, p. 5

3 AGOSTINHO, S. Confissões. São Paulo: Paulus, 1984. p. 23-24

4 Idem 3, p. 24

5 HILGARD, Hernest, R., ATKINSON, Ricrard C. Introdução à filosofia. São Paulo: Nacional. p. 3

6 Idem 5, p. 3

7 Idem 5, p. 3-4

8 JUSTO, Carmem S.S. Os meninos fotógrafos e os educadores. São Paulo: Unesp, 2003. p.70

9 Idem 8, p.28

10 AGOSTINHO, S. Confissões. São Paulo: Paulus, 1984. p. 51

11 Idem 10

12 REALE, Giovanni. História da filosofia. 2. ed. 1v. São Paulo: Paulinas, 1990. P.160

13 JUSTO, Carmem S.S. Os meninos fotógrafos e os educadores. São Paulo: Unesp, 2003. p.29

14 AGOSTINHO, S. Confissões. São Paulo: Paulus, 1984. p. 57

15 Idem 14

16 Idem 14 p. 58

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O APARELHO PSÍQUICO E O FUNCIONAMNETO DA MENTE HUMANA

Publicado por compendion em Abril 12, 2008

Introdução

Neste artigo pretendo discorrer a respeito do Aparelho Psíquico proposto por Freud para explicar a organização e funcionamento da mente humana, o qual, na sua segunda tópica (1923), ele divide em três instâncias: Id, Ego e superego. Caminharemos junto com Freud e sua psicanálise na maior parte do tempo, porém utilizarei alguns subsídios externos por motivo de comparação.

Homem: conflito, resistência e queda.

          Para Freud os processos psiquicos são em sua mairoria inconscientes, a consciência não é mais que uma pequena porção de nossa vida psíquica total. Em sua teoria Freud demonstrou que o conteúdo da mente não se reduz ao consciente (voz secreta da alma, que aprova ou desaprova nossos atos), mas que pelo contrário a maior parte da vida psíquica se desenrola em nível inconsciênte, (in=negação+consciente). Ali se encontram principalmente idéias reprimidas, às quais é negado o acesso à consciência mas que tem grande influência na vida conscênte. Estas idéias reprimidas aparecem de forma disfarçada nos sonhos e nos sintomas neuróticos.
          Os processos psíquicos inconscientes são dominados por nossas tendências sexuais. De acordo com Freud a criança desenvolve um intenso sentimento de amor pelo genitor do sexo oposto e grande hostilidade pelo do próprio sexo, a quem deseja eliminar como um rival. Esse conflito (complexo de Édipo) geralmente declina após a idade de 5 anos e reaparece com o advento da puberdade, sendo um dos fatores que contribuem para a crise da adolescência.
          Para chegar a esta conclusão Freud notou que na maioria dos pacientes que tratou, suas neuroses, histerias e psicoses estavam relacionadas a sentimentos reprimidos com origem em experiências sexuais problemáticas.Com base nessas experiências não exitou em admitir que “as pertubações do erotismo têm maior importância entre as influências que levam à moléstia, tanto num como no outro sexo”3. A Psicanalise surge justamente com a intenção de explicar o funcionamento deste grande “buraco negro” que é a nossa inconsciência.
          A partir destas verificações Freud percebeu que a mente do homem vive uma costante batalha, pois as questões de caráter sexual quase sempre se constituiam um grande tabu moral para a sociedade, em especial em sua época.

Aparelho Psíquico

          Para explicar a organização da mente Freud à divide três instâncias funcionais: Id (ou Isso), Ego (ou Eu) e Superego o(ou Supereu), atribuindo a cada uma delas uma função especifica. Ao designar a mente humana desta maneira, Freud parece ter buscado inspiração na doutrina de Platão, o mito do Carro Alado apresenta bem o seu esquema: a fábula platônica conta que a alma humana é como uma parelha alada puxada por dois cavalos, um mau e disforme, correspondente a parte concupisciente da alma (em Freud este cavalo seria o Id que é a parte da mente que é regida pelo “princípio de prazer”, e tem a função de descarregar as tensões biológicas); o outro cavalo é bom, representa a parte racional da alma, porém as vezes sofre influências da parte do outro cavalo que é muito forte (no esquema freudiano este representa o Ego, ele lida com a estimulação da própria mente e também do mundo exterior, é constantimente fustigado pelo Id, mas é regido pelo “princípio de realidade”); encarregado de puxar a parelha esta o auriga, que seria a parte irascível da alma e lhe cabe auxiliar a parte racional –o cavalo bom- de tal forma que suas ordens sejam sempre obedecidas; (este é o Superego de Freud, e se comporta como um vigilante moral, porém ainda assim de forma inconciênte, faz a censura dos impulsos que a sociedade e a cultura próibem ao Id, impedindo o indíviduo de satisfazer plenamente seus instintos e desejos).

Conflito

          Diante disso fica claro que tudo o que se narra na alegoria platônica quanto na teoria freudiana se constitui um grande conflito, seja na mente ou na alma (em Platão) do homem. Esta batalha mental é o grande tema -senão o único- da Psicanálise.
          Este conflito persegue o homem desde sempre. Existem relatos de todos os gêneros literários que tratam sobre este assunto deveras tortuoso. Vejamos agora uma passagem bíblica que ilustra bem sobre este assunto, na qual o Apóstolo Paulo, parece ter vivido este conflito: “Realmente não consigo entender o que faço; pois não pratico o que quero, mas faço o que detesto. (…) Na realidade, não sou mais eu que pratico a ação, mas o pecado que habita em mim. Eu sei que o bem não mora em mim, isto é, na minha carne. Pois o querer o bem está ao meu alcance, não, porém o praticá-lo. Com efeito, não faço o bem que quero, mas pratico o mal que não quero. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que ajo, e sim o pecado que habita em mim”.5 Santo Agostinho ira dizer: “Quem poderá negar que a vida humana sobre a terra seja uma tentação sem tréguas?” 6
          Esta batalha interior que Paulo nomeia como pecado e Santo Agostinho nomeia como tentação, Freud a denominará como neurose. Todo homem é vitima deste conflito interno, entre impulsos instintivos e entre as instâncias (Id, Ego e Superego), e ao complexo edipiano que seria por sua vez, o início e principal fonte desse desconforto mental.
          A palavra conflictu significa um embate entre pessoas que lutam…7 Ora, para que exista uma luta são necessários um atacante e um defensor. Pois bem, é isso mesmo que acontece no aparelho psíquico, onde o atacante é o Id, que investe poderosamente com um bombardeio de desejos e impulsos de toda ordem contra o Ego, o defensor, que resiste a estes ataques com um conjunto de manobras (mecanismos de defesa) que ele dispõe e utiliza para evitar ameaças a sua própria integridade. A organização desse sistema de defesa é o que entra em contato direto com a realidade externa e através de suas funções tem capacidade de atuar sobre este, em uma tentativa de adaptação e de paz com o inimigo, o Id. Porém nem sempre isso é possível, pois o Id é “esperto e traiçoeiro” e não esta interessado em paz, sua intenção é apenas a satisfação “por isso mesmo, como dizia Freud: os desejos inconscientes são ativos, indestrutíveis e imortais…estão sempre lá… No inconsciente nada acaba, nada passa, nada é esquecido”8.

Resistência

          Neste momento de tortura mental e inconsciente, se faz necessário o Superego intervir em favor do Ego. O Superego é formado “durante a dissolução do complexo de Édipo, através de uma renuncia da criança à satisfação de seus desejos edipianos, da decorrente identificação com o Superego de seus pais e da interiorização da interdição do incesto. Posteriormente acrescido das exigências sociais e culturais (educação, religião, moralidade, etc.), o superego acabaria então se instaurando como juiz e dominador do mundo pulsional do Id” 9.
          Assumindo então o papel de juiz e vigilante, forma uma espécie de autoconsciência moral; os atos do Superego incluem muitos elementos inconscientes que derivam do passado do indivíduo e que podem entrar em conflito com seus valores atuais, constituindo assim um conjunto de interdições e de deveres. Quando acontece de o Superego não conseguir mediar e conter a investida do Id contra o Ego, aparecem os distúrbios dos comportamentos, sentimentos ou idéias, que surgem como resultado, onde uma tendência instintiva do Id é reprimida pelo Ego dando lugar à formação de sintomas neuróticos – que na verdade são mecanismos de defesa.
          Pois bem visualizemos agora a cena de uma luta livre onde geralmente no ringe de luta estão presentes: dois lutadores, um de bom caráter e um de mau caráter, juntamente com um juiz que é o mediador do embate. Em um esporte como este às regras não são muito claras -quase não existem, com exceção a golpes baixos, vale tudo-, apesar disso o lutador de bom caráter é um bom esportista e mantém uma certa postura moral, o outro por sua vez é completamente desleal e avança com todos os tipos de golpe baixo. O Juiz ao perceber a trapaça do mau esportista intervem. Acontece, porém, que o lutador (desonesto) em alguns combates avança até mesmo contra o arbitro e o atira para fora do ringue ficando assim livre para investir com toda brutalidade contra o bom lutador.  

Queda

          No Aparelho Psíquico quando o Superego não consegue mediar e conter a investida do Id, para com o Ego, aparecem os distúrbios dos comportamentos, sentimentos ou idéias, que surgem como resultado, onde uma tendência instintiva do Id supera a defesa do Ego e do Superego dando lugar a formação de sintomas neuróticos, que podem ser graves ou não. No mesmo esquema da alegoria citada acima: o bom lutador é o Ego, o mau o Id enquanto que a arbitragem fica por encargo do Superego, o juiz.
          Quando o Superego sucumbe completamente frente à investida do Id, surge assim a Psicose, que é uma grave perturbação das funções psíquicas que se caracteriza principalmente com a perda do contato com a realidade, pela incapacidade de adaptação social, por perturbações da comunicação e ausência de consciência da doença. É o resultado do conflito entre o Ego e o mundo exterior trazido a tona pelo Id. Diante da frustração de fortes desejos infantis, o Ego nega a realidade externa e procura construir através do delírio um mundo interno e externo de acordo com as tendências do Id.
          As suas teorias acerca do Aparelho Psíquico foram controversos, e continuam a ser muito debatidos ainda hoje , mas de qualquer maneira seus estudos foram e são de suma importância. Com todas estas ilustrações penso que foi possível mostrar um resumo do Aparelho Psíquico proposto por Freud, claro que o tema é extenso e passa por outros diversos conceitos que não foram abordados a altura neste momento.

Claudio Gomes™, estudante de Filosofia do Centro Universitário Assunção – UNIFAI

 Referência Bibliográfica

 1 AGOSTINHO. Confissões. 17. ed. São Paulo: Paulus, 2004. 

 2 SAFOUAN, Moustapha. Angustia-Sintoma-Inibição. 2. ed. Campinas: Papirus, 1989

3FREUD, Sigmund. Cinco lições de Psicanálise

4 PLATÃO, Fedro. São Paulo: Martin Claret, 2001

5 Rm. 8, 14-20.

6 Idem 1,

7FERNANDES, Francisco; LUFT, Celso Pedro; GUIMARÃES F. Marques. Dicionário Brasileiro Globo. 55. ed. São Paulo: Globo, 2001.

8 Idem 2.

9Grande Enciclopédia Larousse. São Paulo: Globo, 1988

 

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