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EDUCAÇÃO: QUE FAZER EM MEIO A SOMBRA?

Publicado por compendion em Setembro 25, 2009

No livro “O saber dos antigos: terapia para os dias atuais” (1995), Giovanni Reale, logo no inicio, cita o poeta T. S. Eliot: “Deserto e vazio. Deserto e vazio. E as trevas à beira do abismo”. E acrescenta: “…esse desespero nobre e solene tornou-se hoje lugar-comum”.

Segundo REALE, “o que aconteceu [e acontece] no século XX foi [é] o que Nietzsche previu. Em minha opinião, a raiz de todos os males que atingem o homem de hoje encontra-se exatamente no niilismo”. O que é o niilismo? “Niilismo: falta o fim; falta a resposta ao ‘por que?’; o que significa niilismo? – que os valores supremos se desvalorizaram”. (REALE. Apud NIETZSCHE, Fragmentos póstumos).

A escola pode mudar a trajetória de vida de um jovem pobre, de uma família, de um bairro, de uma cidade, de um país, do mundo. No entanto…

A crise educacional é um dos reflexos da previsão de Nietzsche. A nosso ver, a matemática, em linhas gerais, é simples: famílias sem solidez de valores geram filhos sem solidez de valores. Aqui, pais e filhos, bem como, escolas e professores todos são vítimas. Somos vítimas e assassinos de nós mesmos.

Tratando especificamente de educação, o que fazer diante de tamanho caos? Como reverter esse câncer que corrói a educação?

Ao longo dos anos, filósofos, psicólogos e especialistas da educação em geral, formularam e formulam teorias acerca da educação, no entanto muitas dessas teorias ou técnicas se mostram, muito das vezes, estéreis. O motivo dessa esterilidade se dá, ao nosso ver, pelo simples fato, de não se observar a individualidade de cada país, cada cidade, cada bairro, cada escola, cada pessoa. Claro que essas teorias, na maioria das vezes, se não, na sua totalidade são testadas antes da aplicação. No entanto, entendemos que no processo de avaliação de uma teoria educacional é impossível abranger a totalidade. Assim, a verificação de uma teoria fica limitada a algumas escolas em algum país com suas características próprias.

Nesse contexto: quem pode fazer a diferença professor ou pedagogia (teoria educacional)?

Nenhum dos dois, sozinhos ou juntos, apenas uma moção da sociedade (em todos os seus níveis), em prol de uma mudança de mentalidade, pode trazer uma luz para as sociedades e tentar resolver os novos apelos da educação.

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Será que a Inteligência Emocional de GOLEMAN cabe em um país, de proporções continentais, como o Brasil?

A nosso ver, a Inteligência Emocional, apenas, vem se juntar a tantas outras teorias educacionais já existentes. Todas elas ótimas, beirando a perfeição, mas apenas teorias, que talvez tenham alcançado algum êxito, em alguma pequena escola, de um pequeno país.

Aprender a lidar com as emoções e também com as emoções da pessoa ao seu redor; detectar um sentimento enquanto ele ocorre; desenvolver a habilidade de lidar com os sentimentos adequando-os a cada situação e dirigir as emoções colocando-as a serviço de um objetivo são intenções ótimas, porém sua aplicabilidade não se daria em curto prazo.

A matéria Questões no escaninho: como professores das redes privada e pública lidam com os novos desafios que rondam a sala de aula (Revista da Folha 30/08/2009), trata de como a tecnologia, a violência e as doenças do aprendizado mudam o ambiente escolar e provocam discussões acerca do papel do professor.

Dessa matéria é possível extrair um elemento em prol e um contra a Inteligência Emocional, a favor:

“Diante de uma turma de alunos com dificuldades de aprendizado, a professora Margarida Costa, 42, (…) avisa: quem não terminar a tarefa não vai brincar no intervalo. A classe se atrasou, preferiu passar o recreio com a professora. [e acrescenta] A carência de atenção é tão grande que usufruir de um tempo do lado do professor deixou a turminha de crianças animada.” [e ainda] “Tem aluno que me pede para chamar de mãe.”

Nesta escola, para diminuir os prejuízos causados pela ausência familiar, foi ampliado o papel do professor para com o aluno. Nesta atitude é possível observar algum aceno da I. E., pois a atitude maternal do professor pode vir a suprir as necessidades das crianças, ajudando, assim, na correção e formação de suas emoções.

Segundo a diretora da escola, a fonte dos problemas emocionais das crianças se encontra nas famílias, pois: “Alunos de famílias desestruturadas descarregam os problemas na escola”. Como citado no inicio do texto, aqui a questão é estrutural. Quando o valor da família (base da estrutura de uma sociedade) é diminuído e até eliminado grandes problemas surgem, aqui e acolá.

“Depois de uma discussão com um aluno, a professora Silvia (…) coloca o estudante de 16 anos para fora da sala. Ele sai, mas a xinga de ‘puta’. No dia seguinte, a coordenadora da escola particular procura Silvia e explica que ela precisa relevar, pois era o terceiro surto do garoto naquela semana. Credita o mau comportamento `troca de medicamentos.”

Segundo a professora, esse tipo de cena é freqüente e a deixa de mãos atadas. Inconformada, ela atribui esse fato ao que chama de “excesso de psicologia”, segundo ela, “incorporado pelos alunos”. Tem aluno que se desculpa, por não ter ido bem na prova, dizendo que tem um problema psicológico.

Esta cena do cotidiano parece ir contra a I. E., pois esta é altamente psicológica.

A teoria da I. E. é muitíssimo interessante: estabelecer um diálogo franco entre aluno e professor; entre aluno e aluno; ensinar a lidar com as emoções em si próprio e nos relacionamentos inter-pessoais, mas, na reforma educacional, ela seria a última faze. Primeiramente se faz necessário outras mudanças estruturais.

No nosso entender, se faz necessário em primeiro plano:

1)     Restabelecer a autoridade (não autoritarismo) do professor:

No passado a autoridade excessiva dos professores, perante os alunos, muitas vezes, terminava em autoritarismo. Agora o peso da balança foi para o outro lado: o “autoritarismo” dos alunos vai da desobediência à agressão física para com os professores. Portanto, se faz necessário, e com urgência, restabelecer a autoridade do professor, porém, desta vez autoridade dialogada.

2)     Uma ampla reforma na estrutura física dos estabelecimentos educacionais:

Salas de aula sucateadas, equipamentos velhos e ultrapassados, bem como, prédios que parecem mais presídios não constituem um espaço que desperte o interesse do aluno. Mais uma vez a matemática é fácil: os jovens da atualidade, infelizmente, estão acostumados a freqüentar os grandes shoppings com seus prédios “belíssimos”. A presença nesses ambientes, para a juventude, é muito agradável. Ora, é um descalabro estabelecer uma comparação entre as escolas e os shoppings, para não falar de outros ambientes que a juventude freqüenta.  A estrutura física das escolas tem que despertar um mínimo interesse dos jovens. No entanto, somente com a autoridade restabelecida aos professores, e demais membros do corpo docente, a segurança dos prédios e equipamentos estará “garantida”.

3)     Um amplo plano de requalificação para os profissionais da educação:

Muitos de nossos professores não estão qualificados para o ensino. Não estão acompanhando a época em que vivemos. Vivemos na época da informação. Cada dia surge uma nova ferramenta tecnológica. Mesmo as camadas mais pobres têm acesso a televisão, celular e internet. Esses veículos transmitem juntos milhões e milhões de informações. Como aquela aula chata de matemática pode competir com a agilidade e “personalidade” de um Iphone? Nossos profissionais da educação têm que ser requalificados, para se tornarem, Pedagogos, capazes de transformar a vida dos alunos por meio de suas disciplinas.

4)     O resgate da dignidade do professor e restauração salarial da categoria:

Professor qualificado merece um salário decente. O restabelecimento da dignidade dos professores passa necessariamente por melhores salários. Por meio do ensino, transmitido por esses profissionais, passam aqueles que um dia irão dirigir o país; a classe do professorado brasileiro precisa de um salário que não os obrigue a fazer três jornadas de trabalho diárias.

5)     Revisão no atual formato de avaliação:

Aluno que não estuda, que deliberadamente não aprende o conteúdo, que apenas atormenta a vida do professor tem que ficar retido. A progressão continuada constitui-se em um grande mal, ao sistema educacional brasileiro. É fácil encontrar alunos que chegam até as últimas séries do ensino regular, sem saber nada. Professores dizem que ensinam, alunos dizem que aprendem e o governo diz que o analfabetismo no Brasil acabou. Pura mentira!  O verdadeiro saldo é que todos perdem.

Entendemos que apenas com esses pontos, e seus pormenores, postos em prática, poderemos acreditar na aplicabilidade da I. E. Assim, com a ordem restabelecida, professores poderão ter acesso às emoções de seus alunos podendo, assim, ajudar na sua formação. Tudo isso em um processo tranqüilo e natural.

Desta forma os professores poderão estar atentos às múltiplas qualidades das crianças e adolescentes, podendo ajudá-los na concatenação das idéias e na floração de suas qualidades.

Nesta faze, um ponto é absolutamente importante: a formação do professor.

Aqui, cabe saber se ele se preparará para ser um professor-psicólogo ou um psicólogo-professor, se é que isso faz alguma diferença…

FINAL

No início do texto citamos o livro “O saber dos antigos: terapia para os dias atuais” de Giovanni Reale (1995), esta obra traça uma espécie de itinerário entre os males que nos afligem hoje, mostrando como a sabedoria antiga revela formas de “cura” do mal-estar contemporâneo. Essas “terapias” talvez não consigam curar, mas pelo menos aliviarão a dor e o desespero.

BIBLIOGRÁFIA

REALE, Giovanni. O saber dos antigos: terapia para os dias atuais. São Paulo: Loyola, 2002

GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. [s. l.]. Objetiva [s. d.].

ANTUNES, Celso. As inteligências múltiplas e seus estímulos. [s. l.]. Papirus [s. d.].

BALMART, Ocimara; CASTRO, Leticia de. Como professores das redes privada e pública lidam com os novos desafios que rondam a sala de aula. Revista da Folha, São Paulo, p. 10-16, 2009.

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O CONHECIMENTO DE SI NOS RELACIONAMENTOS SOCIAIS

Publicado por compendion em Outubro 17, 2008

O conhecimento de si no relacionamento familiar é de fundamental importância, pois o núcleo familiar é o primeiro grupo do qual o indivíduo participa. A família bem estruturada, com regras claras, estabelecendo diálogo aberto, transparente, garantirá a segurança do qual o sujeito precisa para se mover no social. O conhecimento de si contribui para que o indivíduo tenha condições de fazer escolhas adequadas às suas necessidades e, tendo essas necessidades satisfeitas, ele se relacionará de forma a equacionar as tensões cotidianas existentes no grupo familiar.
Como as relações humanas são constituídas de situações de tensão, pois implicam em uma interação entre pessoas diferentes, com necessidades e expectativas diversas, tendo o sujeito conhecimento de si, ele se moverá melhor no seio familiar porque buscará abrir canais de diálogo no sentido de respeitar as escolhas feitas pelos membros integrantes de sua família e, em contrapartida, esperará serem respeitadas as opções por ele feitas. Evidentemente, esta atuação se estenderá para o âmbito do trabalho e, dentro das possibilidades, ele reproduzirá tal situação no relacionamento profissional.
É necessário, entretanto, refletir sobre as dificuldades inerentes ao espaço específico do trabalho, onde imperam relações de hierarquia mais rígidas e fundadas em interesses econômicos. Naturalmente isso implica em estados de tensão muito mais complexos e de difícil equacionamento. O conhecimento de si, aqui, será importante no sentido de perceber as limitações tanto nos relacionamentos, quanto de satisfação das necessidades dos sujeitos implicados nessas relações, que alcançarão apenas certo grau de satisfação dessas necessidades dependendo dos propósitos em questão.
Este conhecimento de si, quando pensado em termos espirituais, ganha importância capital, pois o sujeito que não se conhece, que não localiza com clareza suas expectativas e não se coloca projetos para movimentar-se no mundo, não consegue bom relacionamento no seio familiar nem no espaço do trabalho. O homem precisa de um arcabouço ético, necessita operar com valores que orientem seus comportamentos, que possam mediar as suas ações. É isso que alimenta seu espírito, é isso que serena suas angústias. Um espírito assentado é um espírito alimentado por valores que o atendam.
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Prof(a). Tânia Maria Soares Bezerra Sereno.
Mestra em Educação, Arte e História da Cultura.
Professora de Sociologia e Antropologia Cultural do UNIFAI.

 

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